sexta-feira, 14 de dezembro de 2012


Por vezes perguntei o que é a solidão. Nunca entendi como pessoas rodeadas de pessoas, de festas e amigos, conseguiria sentir isso. Associei, por vezes, a alegria ao materialismo e recusava a entender que, realmente, pode-se ter tudo, mas tudo é nada perto de necessidades íntimas, que são tão imateriais e abstratas. Não é a família, o amor, o emprego, status social. Nada disso importa. Porque, querendo ou não, chega uma fase da nossa vida que necessitamos de algo a mais para nos sentirmos realmente completo. Se é que isso é possível. Um carinho,uma companhia nas horas ruins, alguém que nos entenda sem nada precisar se dito. Apenas ao olhar. Nem sempre se quer falar, apenas, um silêncio de compreensão e amizade. Talvez seja isso que as pessoas sentem. A vida é tão corrida, tudo passa tão rápido e nos dias de hoje, cobra-se tanto do ser humano por tudo. Será que em algum lugar existe uma estrela que possa brilhar a sua escuridão? Sem perguntar, apenas, a presença faz toda a diferença. Alguns, diriam que essa estrela é Jesus, outros diriam que é um amigo, um filho e tem aquele que zombaria, mas eu sei, que existe, em algum lugar desse mundão, alguém que consiga encontrar. Nossos amigos, familiares e namorados não tem obrigação de ser assim. Até porque, acredito eu, isso é tão involuntário. Em alguns casos, podemos até encontrar isso em alguém que não conheçamos. E talvez até seja mais fácil, um desconhecido nos abraçar, porque ele não tem conhecimento de nossa vida. E, o mundo cobra e dá pelo que fazemos ou conquistamos, e não pelo que de fato somos. É complicado de entender até para mim, que estou escrevendo isso. Creio que poucas pessoas conseguiram essa peça que falta no quebra cabeça. Poucas pessoas conseguiram chorar e chorar e falar e gritar, sem, ser questionada ou criticada por isso. Hoje, o que o mundo precisa é sentir-se livre e longe do tão grande vazio, mas para isso, tem que desfazer as amarras que nos colocaram. Tem que ver em nós o que somos e não o que idealizaram. Parte das decepções é resultado de uma idealização que fizemos do mundo, das pessoas, das coisas, dos sonhos... Quando nos dermos conta que, ninguém é como a gente quer que seja. Que as pessoas não são objetos e que mudanças não vem do nada, conseguiremos desfazer parte das grandes correntes que nos prendem e nos sufocam. Não vamos exigir de alguém o que não podemos dar. Ninguém é mais ou menos seu amigo ou gosta menos de nós, só porque não conseguem nos entender ou ser a tal estrela. Cada um ama como pode e nunca se pode despachar essa necessidade tão íntima, nas coisas de alguém. Não é culpa de ninguém, é apenas, algo que está dentro de nós, de todos nós e ninguém tem obrigação de mudar isso. No dia que entendermos que o ser humano sempre estará em um canto, sendo sempre individualista e ocupando um pequeno espaço, e de forma passageira, entenderemos que de nossos medos e aflições, apenas nós mesmos seremos capazes de suportar. Pode-se várias companhias, mas a dor maior será apenas nossa. Temos ajuda ao nascer, mas nascemos sozinhos e morremos sozinhos, então, nossas dores são apenas nossa e se alguém aparecer e puder nos ajudar, então, alcançamos a maior de todas as bençãos

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